sábado, 7 de janeiro de 2012

Coisas de escola pública

A cada ano letivo trabalho para que as coisas aconteçam diferentes pelo menos numa instituição de ensino da rede estatal. Entre erros e acertos, confesso que não tem sido fácil contrapor a cultura que teima em apequenar a escola pública, impondo aos alunos infraestrutura e processos de ensino e aprendizagem que os inferiorizam.
Não seria menos grave se os problemas que comprometem a qualidade social da escola pública ocorressem apenas na unidade onde eu trabalho. Infelizmente alguns parecem crônicos e, em maior ou menor intensidade, estão espalhados pelos quatro cantos dos municípios e estados brasileiros. Fosse esse quadro tão diferente, os indicadores não atestariam o insucesso da nossa educação.


Um conjunto de trapalhadas e desacertos históricos da gestão pública contribui para uma espécie de código - não escrito - que, excetuando-se as federais, distingue as escolas estatais daquelas da rede privada ou as escolas que funcionam mal daquelas que funcionam com regularidade. Não é raro se ouvir referências pejorativas, do tipo: "isso é coisa de escola pública." De fato, nas últimas décadas, tornaram-se coisas de escola pública:

a) os resultados pífios da maioria, quando são divulgados exames e índices oficiais que revelam o baixo desempenho dos alunos em relação às aprendizagens;

b) a definição dos professores dos anos iniciais do ensino fundamental sem considerar as competências e habilidades na condução do processo de alfabetização e letramento;

c) a falta de gestão do seu próprio orçamento, diferente de como ocorre nas escolas particulares. Cada unidade deveria receber os recursos do investimento público por aluno e executá-los de acordo com o seu projeto;

d) a ingerência administrativa e pedagógica de órgãos intermediários e central, que executam programas e projetos, em detrimento da gestão autônoma da escola, do seu projeto pedagógico e do protagonismo da sua equipe;

e) a escolha técnica do gestor da escola, que deveria se dar mediante concurso público, ceder lugar à escolha pelo voto da comunidade escolar, bastando ser professor ou especialista do quadro da escola, como se esse critério fosse determinante para garantir a gestão democrática;

f) a realização de concursos públicos de contratação aleatória de professores e outros profissionais, sem estabelecer vagas por escolas e sem a inclusão de etapa final a ser conduzida por cada unidade, contemplando entrevista, checagem de referências e prova prática;

g) a presença e permanência de "profissional" que adoece para a escola pública, enquanto "vende saúde" para a instituição particular, o mesmo que escolhe o horário de trabalho na escola pública para realizar todo tipo de demanda pessoal ou profissional de outros vínculos, que alinhava processos, subtrai os direitos dos alunos e gera dificuldades ao funcionamento regular da escola, sem nenhuma cerimônia e observação à ética profissional;

h) os gestores públicos se inspirarem na média salarial dos professores das escolas particulares, diante dos vencimentos aviltantes que afastam os mais talentosos do ingresso no magistério público;

i) a constante luta dos professores por um plano de carreira decente, que os valorize enquanto profissionais e ofereça as condições dignas para seguirem no magistério;

j) a ausência de planejamento e/ou perenidade de uma burocracia grotesca que impede reformas e serviços de manutenção das instalações físicas dos prédios no período de férias e recesso escolar;

k) a ausência e/ou falta de manutenção/atualização da tecnologia, dos equipamentos e mobiliários fundamentais para a escola cumprir a sua função social;

.........

m) a imposição de um calendário escolar padronizado para todas as escolas de um mesmo município ou estado, desconsiderando as especificidades de cada unidade e a autonomia preconizada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação;

n) a determinação de sábado letivo mensal para todas as escolas, quando é de conhecimento de todos que em muitas instituições esse dia não funciona;

o) a prática de iniciar o ano letivo sem o quadro de servidores completo, permanência dessas carências por semanas, meses e até mesmo por todo ano, além de, por vezes, não ocorrerem substituições quando há vacâncias durante o percurso;

p) a ausência de agenda mensal de reuniões para planejamento e avaliação coletiva dos processos de ensino e aprendizagem e da gestão da escola em geral, bem como para a realização de uma consistente política de formação continuada dos profissionais;

q) os professores e parte dos especialistas trabalharem na escola, pelo menos de forma presencial, somente dois ou três dias para além dos 200 dias letivos/ano, dificultando a possibilidade de outras ações de relevâncias pedagógicas.

Caso houvesse mais espaço é possível que o abecedário fosse insuficiente para aduzir todas as "coisas de escola pública", dou-me por satisfeita, especialmente se para alguns interessar o debate e, sobretudo, a tarefa coletiva de refazer tal cultura.

Cláudia Santa Rosa, educadora, escreve a convite do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), que colabora às sextas-feiras.



Lei da força ou força da lei? (Parte I)

Para os sociólogos, estadistas e cientistas políticos em geral, dependendo de suas raízes político-ideológicas, a sobrevivência do Estado, a manutenção da ordem social e coletiva, repousa, para uns, na FORÇA DA LEI, para outros na LEI DA FORÇA. A história da humanidade traduz uma senda belicosa, de conquistas, vitórias e derrotas.

Para Nicolau Maquiavel, em sua obra prima "O Príncipe", o sustentáculo de qualquer governo assenta-se em boas leis e boas armas.

A visão maquiavélica das armas era própria da era absolutista, cujo mando dependia em grande parte da força, não aplicável na época contemporânea, que se fulcra em March Bloch, um dos fundadores da Nova História, isto é o estudo do homem em uma análise do seu tempo.

Com efeito, no pretérito, o Estado sempre se associou de um modo peculiar à força.

Nas suas origens, no seu crescimento, e até no atual controle que tem sobre os seus membros e nas suas relações com outros Estados, proclama-se que a força não somente é o seu último recurso, mas também o seu primeiro princípio, não somente a sua arma especial, mas a sua própria essência.

Uma sociologia bem fundamentada, preleciona Oppenheirme, no seu livro O Estado, "tem de considerar o fato de que a formação de classes, nos tempos históricos, não se deu pela diferenciação gradual numa competição pacífica, mas resultou da conquista e subjugação violenta".

Ainda, segundo afirmativa de antigo filósofo: "o conflito é o pai de todas as coisas, e o seu primogênito, criado à sua própria imagem e, afinal, o seu único herdeiro, é o Estado".

Tal visão doutrinária, cruamente exposta por autores como Subel e Treitschke, e vestida decentemente (com coloridos sofistas) por inúmeros escritores sobre o Estado, é ainda mais enganadora pela verdade parcial que contem. Pertence àquela espécie de "realismo" simplificador, que falseia tanto o curso do desenvolvimento histórico como as condições sociais de todas as realizações e motivos de conduta humana, além de exagerar grosseiramente a eficáciada força.

Contra atacando a dita escola, o Mestre R. Maclver, ex-professor de Filosofia da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, preleciona categórico: "O APARECIMENTO DO ESTADO NÃO FOI DEVIDO A FORÇA, EMBORA ELA IDUBITAVELMENTE TENHA TIDO UM PAPEL NO SEU PROCESSO DE EXPANSÃO".

Como se vê, a força não une. Força é um substituto para a unidade. Enquanto domina, não há unidade nem desenvolvimento. Algumas vezes, como serva da inteligência, prepara o caminho para a unidade. Tomar e reter pela força consome as energias dos que tomam e dos que resistem. Essas energias poderiam aplicar-se a esforço cooperativo.

Numa sociedade, por seu turno, são somente os estúpidos que procuram atingir os seus fins pela força. A força bruta alcança nenhum resultado. Se permitíssemos o seu livre exercício, ela destruiria a ordem da vida e dos hábitos, as amenidades e satisfação que vêm das atividades espontâneas e livres do homem civilizado.

Adalberto Targino, procurador do Estado e membro da Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas,

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Se prepare bem ano novo, eu estou chegando motivado!

26 de dezembro de 2011
Casca Patrick

Acabou sua mordomia de ser aguardado com muitas expectativas, não que eu não espere que seja um ano bom, mas quero surpreender a mim mesmo com o que posso fazer. Aprendi já que em um ano teremos muitos altos e baixos, então não quero mais pensar que ano que vem quero que tudo de certo, para ser sincero mesmo, o que tenha que acontecer que aconteça e que se exploda aquele que achar que estou menosprezando o ano que virá. Não estou menosprezando este novo ano estou o desafiando e aceitando o seu convite de tente viver mais.
Quero que as pessoas façam o mesmo, desafiem o ano que virá, não o usem como uma desculpa tardia para fazer ou começar a fazer coisas que queriam ou já deveriam ter feito, quero que elas façam mais e melhor, se mexam mais, se acabem e recomponham se, que elas amem mais a quem às ame, que elas comemorem mais, que elas vivam.
Não esperem que tudo de certo, pois ninguém acerta sempre, então cobrar isso a toda hora é uma coisa ridícula. Gostaria de ouvir em dezembro do outro ano, alguém dizer eu passei por um desafio gigante ou até mesmo eu fracassei, pois assim saberei que pelo menos essa pessoa tentou o desafio de fazer de um ano o ano de sua vida e olharei para ela e mostrarei que há mais um ano pela frente, tente de novo.
Então o que você vai querer no ano novo? Um amor? Um novo emprego? Algo que perdeu? Alguém que perdeu? Então erga a cabeça, você tem que ter certeza na sua cabeça o que busca e faça o mais importante dê o primeiro passo, pois sem este você não sai nem mesmo do lugar. Quer chegar a algum lugar? Se mexa use as pernas, use a cabeça e use o coração, as pernas serão responsáveis por suas caminhadas na sua busca, sua cabeça será responsável pela sua rota e seu coração será o que o aquecerá, será o seu propulsor.
Então agora pense em todos os desafios que o ano que passa ou passou lhe deixou. Então consegue? Acho que as dificuldades que a vida nos impõe são justas, se achou que são muitos desafios, talvez sejam mesmo, mas devem ter sido merecidos, não se faça de coitado, mas não adianta mostrar muita força, pois se lembre surpreenda o novo ano, não de motivos para ele te surpreender.
A todos que tentarem desafiar o ano novo, boa sorte e cuidado, vocês podem conseguir o que querem e ai tem que saber administrar as conquistas! Mas mesmo assim boa sorte!

OBS: Patrick é ex-aluno da Escola José Otão
O endereço de seu blog:http://aondeeuandei.blogspot.com
Vale a pena dar uma olhada...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Manual para 2012


Saúde:
1. Beba muita água
2. Coma no café da manhã como um rei, no almoço como um príncipe e no jantar como um mendigo;
3. Coma o que nasce em árvores e plantas, e menos comida produzida em fábricas;
4. Viva com os 3 E's: Energia, Entusiasmo e Empatia;
5. Tenha tempo para orar;
6. Jogue mais jogos;
7. Leia mais livros do que leu em 2011;
8. Sente-se em silêncio pelo menos 10 minutos por dia;
9. Durma, pelo menos, 7 horas por dia;
10. Faça caminhadas de 10-30 minutos por dia, e enquanto caminha sorria.

Personalidade:
11. Não compare a sua vida a dos outros. Ninguém faz ideia de como é a caminhada dos outros;
12. Não tenha pensamentos negativos ou coisas de que não tem controle;
13. Não exceda. Mantenha-se nos seus limites;
14. Não se torne demasiado sério;
15. Não desperdice a sua energia preciosa em fofocas;
16. Sonhe mais;
17. Inveja é uma perda de tempo. Você tem tudo que necessita....
18. Esqueça questões do passado. Não lembre seu parceiro dos seus erros do passado. Isso destruirá a sua felicidade presente;
19. A vida é curta demais para odiar alguém. Não odeie.
20. Faça as pazes com o seu passado para não estragar o seu presente;
21. Ninguém comanda a sua felicidade a não ser você;
22. Tenha consciência que a vida é uma escola e que está nela para aprender. Problemas são apenas parte do curriculum, que aparecem e se desvanecem como uma aula de álgebra, mas as lições que aprende, perduram uma vida inteira;
23. Sorria e gargalhe mais;
24. Não necessite ganhar todas as discussões. Aceite também a discordância;

Sociedade:
25. Entre mais em contato com sua família;
26. Dê algo de bom aos outros diariamente;
27. Perdoe a todos por tudo;
28. Passe mais tempo com pessoas acima de 70 e abaixo de 6 anos;
29. Tente fazer sorrir pelo menos três pessoas por dia;
30. Não te diz respeito o que os outros pensam de você;
31. O seu trabalho não tomará conta de você quando estiver doente. Os seus amigos o farão. Mantenha contato com eles.

A Vida:
32. Faça o que é correto;
33. Desfaça-se do que não é útil, bonito ou alegre;
34. DEUS cura tudo;
35. Por muito boa ou má que a situação seja.... mudará...
36. Não interessa como se sente. Levante-se, se arrume e apareça!
37. O melhor ainda está para vir;
38. Quando acordar vivo de manhã, agradeça a DEUS pela graça.
39. Mantenha seu coração sempre feliz.


Por último:
40. Viva como se não houvesse amanhã!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Reflexão sobre o ano letivo que finda

Compartilho com vocês, leitores, uma pertinente reflexão sobre o final do ano letivo da colega Elizabeth, que tive acesso no Blog Espaço Educar, muito interessante e retrata a realidade de muitos educadores brasileiros.
Mais um final de ano letivo. O cansaço mistura-se a frustração de não ter conseguido certas coisas que julgávamos tão importantes. A vontade ambígua de parar e descansar e ao mesmo tempo aproveitar os últimos minutos para tentar modificar algo. A eterna inadequação.
Quantos alunos felizes, sorridentes, lendo e relendo, criando textos que nos deixam eternamente emocionados, escrevendo cartinhas que para sempre guardaremos. E um grupo menor, aquele que não conseguiu, mais uma vez. O olhar para trás, a análise do que está errado, do que fizemos de errado ou do que deixamos de fazer para ajudar. Havia ajuda possível? Fizemos nossa parte? Qual era nossa parte? Em meio ao tumultuado dia a dia numa sala de aula, é difícil dividir alguma coisa em partes, todas as coisas parecem compartilhadas, angústias são de todos, dores repartidas, problemas sociais divididos na falta do lápis, no emprestar do lápis de cor.
Escola. A maior alegria de uma escola ainda reside nestas alegrias e tristezas de sala de aula. É quando a porta se fecha que a janela para a vida se descortina. E é por detrás daquela porta que ainda somos felizes. A escola, por pior que possa parecer, não é um lugar de pessoas felizes. A escola sobrevive a seus embates diários, se arrasta entre vidas e pensamentos opostos e incongruentes. A escola é a pior parte da educação; e a melhor parte dela habita os olhos dos meus alunos. As suas falas, os seus bilhetes e recadinhos de carinho, os seus avanços diários compartihados na felicidade geral da turma. E que - pasmem! - não interessa a escola! A Escola é a burocracia, são os documentos, pontos, atrasos e faltas numa folha onde somos números e não cabem erros ou humanidades.
Nem sempre sei se sigo em frente, tenho sempre a impressão de uma grande peça de teatro. Não poderia ser real o que vivemos na escola. Se a escola fosse escrita a giz, num quadro negro, eu apagaria toda a escola, e deixaria aquele brilho nos olhos do aluno que conseguiu ler! Aquele sorriso contagiante no rosto da menina que compartilha lápis de cor, sentada ao lado de uma amiga. Eu deixaria o que menos importa para quem dirige a escola. Deixaria todos os pequenos detalhes que passam despercebidos para quem só enxerga a burocracia. E que nos transforma todos em robôs, e assim, autômatos da escola e imbuídos de toda a sua frieza que exige silêncio e organização, prosseguimos.
Terminamos sempre como se nem fôssemos mais o que éramos. E o cansaço da adaptação à escola é sempre tão grande, estamos dormindo mal, comendo errado, estamos todos tentando caber. Todos tentando ser um pouco normais aos olhos alheios. Por que os olhares dos outros são sempre tão importantes?
É preciso sobreviver aos olhares, sobreviver ao grupo, sobreviver à escola para conseguir ter o que a escola tem de melhor: o brilho no olhar, o sorriso nos lábios e a ingenuidade da infância.
Em que outro lugar se poderia dar o melhor de si? A Escola tira o melhor que possuimos porque precisamos nos adequar, não podemos ser eternamente inadequados a ela. E assim, completamente moldados pela escola, seguimos, com nossos diários de classe em dia, com nossos planos de aula em dia, nossas turminhas enfileiradas e tristemente silenciosas. Prosseguimos com nossa eterna preocupação em vista do barulho da classe e do professor ao lado. Prosseguimos mantendo o silêncio, exigindo quietude e organização, em nossos ralos exercícios mecanizados que ajudam a manter a situação vigente do país. Porque a escola não sobrevive a aulas barulhentas e criadoras, a escola não sobrevive a ruídos de felicidade. Ela foi e será sempre assim: acinzentada. Acinzentada de gente que ficou igual, tristemente igual.
A única coisa que podemos fazer, em vista de todas estas questões é entrar de férias.
E sentir o coração apertar no peito de deixar a turminha querida e todos os nossos momentos lindos que nem interessam à escola, não importam.
E sempre sinto falta das outras turminhas. Dos pequenos dos quais não me despedi. Eu sei que eles se lembrarão.
A verdade é que em final de ano sentimos falta até de quem não deveríamos sentir. E o deveríamos nunca cabe na lógica. A lógica não esteve na escola, ninguém ensinou à lógica que há coisas que ultrapassam, coisas que marcam, que ficam, perduram e serão sempre importantes, apesar de tudo. E o tudo fica sempre tão pequenino diante do amor que nutrimos a certas pessoas e lugares que não deveríamos amar. Voltando à questão do deveríamos... Num sem fim, num sem lugar, num completo e intransigente incompreender, humanidade, teu nome é inadequação.

Fonte: http://espacoeducar-liza.blogspot.com/#ixzz1gf1YpTbp

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A importância de se educar para as emoções

Por muito tempo, e até os dias atuais, as ideias de Alfred Binet sobre a mensuração da inteligência por um único teste padronizado de inteligência, o chamado Quociente Intelectual – QI, foram utilizadas em inúmeras seleções e avaliações psicológicas, sendo determinante para o reconhecimento e ascensão de um bom estudante ou profissional.
Com o passar do tempo e a contestação dessas ideias por outros estudiosos, como o psicólogo Howard Gardner, por exemplo, que desenvolveu a teoria das Inteligências Múltiplas, os fundamentos de Binet foram, aos poucos, sendo substituídos por conceitos mais elaborados e profundos sobre o comportamento e o desenvolvimento psicológico dos indivíduos.
Apesar de se saber da importância da intelectualidade no século presente, essa capacidade não se constitui como única determinante para o pleno desenvolvimento psicointelectual do sujeito, pois é muito relevante também que o indivíduo possa se desenvolver emocionalmente, o que Daniel Goleman chama em seu livro “Inteligência Emocional” de Quociente Emocional – QE. Goleman ressalta que a crise que a humanidade vive hoje, com aumento da criminalidade, violência e infelicidade é o reflexo de uma cultura que se preocupou apenas com o intelecto, esquecendo o lado emocional da pessoa.
Tanto o QI quanto o QE podem ser desenvolvidos e potencializados, dependendo da orientação da pessoa que pretenda desenvolvê-los. Concebe-

se, portanto, que esses quocientes não têm a qualidade de serem estáticos, mas podem ser aprimorados e desenvolvidos durante a vida do indivíduo.
Ainda segundo os estudos de Goleman as pessoas só utilizarão 15% do que aprenderam na escola na sua vida prática, enquanto a inteligência emocional demanda 85% da capacidade do indivíduo na sua convivência social.
O questionamento que se faz é: Por que se dá tanta ênfase ao ensino apertado, ao cumprimento rigoroso de programas, provas, testes dentre outros, e se ignora ou desconhece-se a Inteligência Emocional? Não é proveitoso formar-se adultos, estudiosos, cientistas cultos se não sabem lidar com o outro, se são sujeitos frios, desprovidos de sensibilidade e humanismo.
A importância de se educar as emoções é notável, pois uma pessoa educada, emocionalmente, é um ser equilibrado, que sabe lidar com uma variedade de situações do cotidiano e com as pluralidades de ideias, pessoas e sentimentos. Destaca-se que educar para as emoções não significa abandonar os conteúdos do currículo escolar convencional, mas integrá-las de forma que sejam trabalhadas constantemente, destacando sempre seu caráter inter e multidisciplinar.
Como destaca o educador Paulo Freire “e escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece, se estima”. A escola não é uma mera construção de concreto e cimento, mas uma célula viva, viva como a própria educação, não consiste, portanto, numa experiência fria, mas repleta de ações, vivências e emoções.
As instituições escolares e os pais precisam atentar para o fato de que qualidade no ensino não significa horas exaustivas de estudos e notas boas, mas a capacidade do educando ser autônomo, ter autonomia para (re) elaborar conhecimentos; colaborativo, saber lidar com o outro e trabalhar em equipe; e um ser criativo, dinâmico. O memorável educador Rubem Alves destaca que muitas escolas não passam de jacarés. Devoram as crianças em nome do rigor, do ensino apertado, da boa base, do preparo para o vestibular. É com essa propaganda que elas convencem os pais e cobram mais caro... Mas e a infância? E o dia que não se repetirá nunca mais? Infelizmente o Brasil ainda tem muito dessas escolas, “escolas jacarés”.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

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Parabéns a TODOS os voluntários da TRIBO VISÃO SOLIDÁRIA...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Alunos deficientes, por Içami Tiba

A maioria dos professores sabe que em uma sala de aula não há um aluno que seja idêntico a outro, como em qualquer outro ambiente em que se juntem pessoas como na família, na escola, na igreja, no trabalho, na sociedade, onde quer que seja. No planeta, cada terráqueo é um ser humano distinto do outro com suas características pessoais que nenhum outro terá totalmente idêntica.
O que diferencia um humano do outro são, na sua imensa maioria, os padrões e traços adquiridos após o nascimento através da infinita capacidade que os humanos têm de absorção, de aprendizagem, de desenvolvimento e de práticas constantes,como cultura, religião, idioma, habilidades específicas, alimentação, padrões sexuais etc.
O nosso nascimento dependeu de uma união de óvulo e espermatozoide em um ambiente adequado, útero ou similar artificial. Num mesmo país, depende da região em que se nasce, da família do qual nasceu, das condições locais de saúde, cultura, costumes, nível social, financeiro, religioso etc. Ninguém nasce por vontade própria. Mesmo a própria condição da família é diferente a cada nascimento de um filho, o que o torna diferente dos demais irmãos. Por mais que as variáveis sejam parecidas, cada filho é resultado de uma soma que ninguém ainda conseguiu calcular o número exato de quantas ações, reações e interações químicas, bioquímicas, fisiológicas, aconteceram para se chegar ao DNA de cada um...
Somos todos resultados de um sem-número, portanto, quase infinito, de crescimentos, desenvolvimentos, associações positivas e negativas que torna totalmente impossível encontrarmos dois seres humanos totalmente idênticos. Ponto final.
Partindo desta ideia de que somos totalmente independentes e muito diferentes uns dos outros, estabelecemos um padrão comum encontrado para subdividir os humanos em grupos. Os que pertencem e os que não pertencem a um padrão médio de funcionamento. Se escolhermos um padrão médio de funcionamento humano, seja o da locomoção, da audição, da visão, da articulação da voz, da inteligência racional, encontraremos os fora deste padrão como o paraplégico, o surdo, o cego, o mudo, o deficiente mental etc. Todos estes são deficientes em relação ao padrão considerado

- portanto são diferentes da média, mas não são desiguais. Todos devem receber o que lhes são devidos, principalmente na educação.
Estarão as famílias, as escolas, a sociedade preparadas para educarem pessoas deficientes? Com certeza, não. Os diferentes até há pouco tempo eram isoladas pelos “normais” (que têm o padrão médio considerado), e pouco se fazia para integrá-los à sociedade.
Existe ainda hoje o preconceito contra os deficientes quando trata estes seres humanos que têm, com certeza, outros padrões que se encaixam na “normalidade”, rejeitando-o como um todo. Inclusive este preconceito existe e por ser negado e não enfrentado e superado, os professores “normais” não estão sendo preparados nas suas formações acadêmicas para atender os alunos deficientes junto com os “normais”. O ensinar o deficiente tem suas características específicas e, agrupá-los em algumas atividades específicas determinadas pelas suas dificuldades, torna-se tão necessário quanto valorizar seus padrões não diferentes, incluindo-os em atividades comuns.
Como pode um professor em sala de aula atender pessoas deficientes no meio de tantos “normais”? Como pode um professor deixar de atender alunos deficientes se sua matéria não depende do padrão deficiente que um aluno tenha para aprender?
Estamos ainda muito próximos do jurássico comportamento de isolar o deficiente quando o que ele mais precisa é ser ajudado a ser integrado, tanto pelos “normais” quanto por ele mesmo.