sexta-feira, 16 de março de 2012

4 dicas de disciplina em sala de aula para novos professores

No início de qualquer carreira, mas especialmente no professorado, os profissionais colocam à prova tudo aquilo que lhes foi ensinado sobre como ensinar e administrar uma sala de aula. O fator humano e o comportamento infantil colocam em cheque qualquer conceito pré-formado e mentalidade profissional. É importante aprender com os erros e saber ouvir os conselhos e histórias de pessoas que já passaram por essa fase e erraram antes de você.


Se você está com problemas de disciplina em sala de aula, confira a seguir 4 dicas de como se posicionar da maneira certa:

Como manter a disciplina em sala de aula: 1) Use sua voz normal e natural
Levantar a voz para ter a atenção dos alunos não é a melhor estratégia. O ambiente e estresse causados não valem à pena e podem provocar efeitos contrários. Os estudantes irão espelhar-se em seu tom de voz, por isso evite o uso do volume e tom elevados. Se você quer que as crianças falem e um volume normal e agradável é importante que você seja o principal exemplo. Não se esqueça também de diferenciar seu tom de voz. Ao pedir que os alunos guardem seus cadernos e façam grupos, seja afirmativo e firme, em um tom imperativo. Quando perguntar ou pedir a participação dos alunos na sala de aula, ou questionar a importância de determinado fato, use um tom convidativo e informal.

Como manter a disciplina em sala de aula: 2) Fale apenas quando houver silêncio
Apenas espere. Aguarde que cada aluno reconheça sua presença, sem a necessidade de qualquer apresentação ou manifestação. Lute contra a tentação de falar ou chamar a atenção. Você irá perceber que a iniciativa de calar-se e pedir silêncio virá dos próprios alunos e isso faz toda diferença na construção do respeito mútuo.

Como manter a disciplina em sala de aula: 3) Use comunicação não-verbal
Manter sua mão levantada e fazer contato visual com os alunos é uma ótima forma de obter o silêncio e a atenção. Leva um tempo para que os estudantes se acostumem com essa rotina, mas ela funciona perfeitamente. Ao levantar sua mão, peça a eles que façam o mesmo. Espere 5 segundos e abaixe o braço lentamente. Ligar e desligar a luz rapidamente são métodos antigos e eficientes. Pode ser um sinal de rotina para uma prova, por exemplo, quando faltam alguns minutos para a entrega. Com alunos mais novos, você pode bater palmas três vezes e ensiná-las a bater responsivamente duas vezes. É uma maneira divertida e ativa de chamar a atenção sem precisar distanciá-los de você.

Como manter a disciplina em sala de aula: 4) Pontue problemas de forma rápida e sábia
Ao perceber um problema ou confusão pontual, resolva essa questão o mais rápido possível. Mal estar e indisposições podem crescer rapidamente e tornarem-se confusões e desentendimentos mais complicados de resolver. Para resolver esses problemas de forma sábia, você e o(s) aluno(s) devem separar-se do resto da turma, na porta ou lado de fora da sala. Pergunte de forma ingênua “Como posso te ajudar?”, mas não faça isso de forma sínica e que provoque mais ressentimento. Não acuse o estudante de nada. Mostre que você se importa, mesmo se esse não for o caso. O aluno ficará desarmado porque espera uma atitude de confrontação e irritação. Sempre tenha uma abordagem positiva. Diga, “Parece que você está com dúvidas” ao invés de “Porque você estava conversando e não fez a atividade?”. Quando os estudantes tiverem conflitos entre eles, tenha sempre uma atitude neutra, não importando o histórico do aluno. Converse com eles durante o intervalo ou na saída e uso uma linguagem neutra. Você deve agir como mediador da situação, e eles devem aprender sozinhos como resolver o problema de forma pacífica e madura.
Fonte: Universia Brasil

Jovem com Síndrome de Down é aprovado em universidade do RS

Desde o dia 5 de março, os almoços da família Nogueira ganharam uma alegria diferente em Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul. É na mesa, ao lado dos pais, que o estudante Gabriel conta com empolgação cada detalhe de sua nova façanha: a aprovação para o curso de teatro na Universidade Federal de Pelotas (Ufpel). O jovem de 24 anos tem Síndrome de Down e foi um dos selecionados pelo Programa de Avaliação da Vida Escolar (Pave), que analisa o currículo escolar dos alunos.

"Está sendo uma emoção permanente", conta a mãe de Gabriel, Joseane de Almeida, que vibra com cada uma das histórias que o garoto traz das aulas. Em vez de isolar o menino, os pais optaram por outro caminho. Desde a infância, o jovem participou de atividades que despertassem sua criatividade e aptidões. Integrante de um projeto da Ufpel, o Carinho, Gabriel fez aulas de natação e também de dança. “Sou faixa preta em Taekwondo”, conta o estudante que pratica a atividade há alguns anos.
O primeiro filho de um casal pelotense sempre estudou em escolas normais. “Ele nunca repetiu o ano, sempre foi muito esforçado”, diz Joseane. Quando sua irmã mais nova decidiu cursar jornalismo, Gabriel entusiasmou-se com a idéia e também quis virar calouro. “A ideia foi dele. Nos questionávamos se ele iria conseguir, mas ele não se deixa intimidar, é de bem com a vida e conseguiu uma nota suficiente para entrar”.
O estudante é faixa preta em Taekwondo

O Pave é um programa da Ufpel paralelo ao Enem, que avalia o desempenho escolar durante todo o ensino médio, possibilitando o ingresso de diferentes pessoas na universidade. A coordenadora do curso de teatro da faculdade explica que diversas provas são desenvolvidas ao longo da vida letiva do concorrente. “O edital tem uma série de peculiaridades. Mas o positivo disso tudo é que mais pessoas estão tendo acesso às universidades”, fala Marina de
Oliveira. Os professores e os colegas de Gabriel também estão entusiasmados com a convivência. “Ele é muito carismático e espontâneo. O maior desafio é dos próprios professores, já que é uma novidade para todos. Estamos construindo novas formas de relacionamento, de construir o conhecimento”, retrata a coordenadora.
Em um curso dividido em três eixos, pedagógico, prático e teórico, a maior dificuldade de Gabriel, segundo sua mãe, será as matérias com caráter mais subjetivo. “Apesar de adorar filosofia, o desafio dele será na compreensão. Ele demora um pouco mais para acompanhar as coisas”, explica. Já no olhar do próprio aluno, estar na universidade tem sido um grande presente. “Eu acho interessante teatro. A matéria que mais gostei até agora é a de improvisação”, conta. Na infância, Gabriel participou de algumas peças na escola. Amante de violão, lançou-se em 2011 na sua primeira interpretação no filme “Down City”, que conta a história de uma pessoa que nasce normal em uma cidade de portadores da Síndrome de Down. Com a vaga garantida na faculdade, o garoto agora faz planos com a namorada. “Comemoramos dois anos em abril. Quero casar e constituir família”, completa, feliz, Gabriel.

Incluir um aluno na escola é também incluí-lo no mundo e na sociedade

Na coluna anterior, falamos da vitória de dois vestibulandos que entraram em universidades federais, apesar das dificuldades de vida, e como o apoio da família foi fator importante para suas conquistas. Um deles, Kallil Assis Tavares, 21 anos, tem síndrome de Down. Uma das características desse quadro é a limitação intelectual, algo que dificulta em muito o aprendizado, mas não o impossibilita. Além do precioso incentivo da família para que se desenvolvesse e caminhasse nos estudos, o jovem estudou em escolas regulares que trabalharam sua inclusão, fator fundamental para seu desenvolvimento. Nesta quarta-feira (14), o G1 noticiou que outro estudante co síndrome de Down, Gabriel Nogueira, foi aprovado para o curso de teatro na Universidade Federal de Pelotas (Ufpel).

Por um bom tempo, alunos com necessidades específicas não tinham muito espaço nas escolas. Frequentavam classes especiais, que de especial não tinham nada. Apenas ofereciam um ensino que pouco propiciava o aprendizado e o desenvolvimento das crianças. Elas eram vistas como incapazes e as classes funcionavam mais como um depósito de crianças difíceis.
Elas não eram exclusivas dessas crianças e também serviam para aquelas que não se adequavam ao ensino oferecido. Essa não adequação funcionava (e ainda funciona) como indicador da incapacidade do aluno em aprender.
É aquela velha história do aluno ter que se encaixar nas características da instituição. O desafio é do aluno conseguir acompanhar determinado sistema de ensino, e não da escola promover seu desenvolvimento pleno dentro de suas peculiaridades. Como se todos fossem iguais. As coisas não mudaram muito.
Tanto é assim que em muitas instituições há a seleção para novos alunos. Não é qualquer um que entra em determinadas escolas. Inclusive, existem casos em que os pais ouvem dos coordenadores, após um trajeto em que o filho apresentou muita dificuldade, que ele não serve para aquela escola. Em verdade, é ela que não serve para aquele aluno, algo difícil de admitirem por barrarem em suas próprias limitações. Fica mais fácil ver as dos estudantes que as delas próprias.
Nem todas estão preparadas para qualquer clientela. Mas é preciso mudar essa visão do aluno ideal e começar abrir as portas para os mais diferentes, que não necessariamente tenham dificuldades específicas. Afinal, vivemos em uma democracia e todos merecem as mesmas oportunidades. É nisso que se baseia a inclusão escolar: qualidade de educação para todos, considerando suas diferenças (o que não se restringe às necessidades especiais).
Muitas escolas fazem a inclusão. Porém, é necessário atentar para que não seja apenas uma forma de autopromoção, como se isso fosse moderno, aceitando um aluno ou outro.
Realizar um trabalho assim exige uma formação especializada dos professores, em que a prática seja privilegiada, para que possam lidar com as diferenças e casos específicos.
E os resultados são positivos. Kallil é uma prova disso. A Universidade Federal de Goiás já tem um trabalho de inclusão e o jovem também participará dele. E isso provavelmente fará muita diferença. O mesmo vale para Gabriel e a Universidade Federal de Pelotas.
Incluir um aluno na escola é também incluí-lo no mundo e na sociedade. Há muito que se trilhar. E os pais dessas crianças e toda a sociedade devem exigir que esse trabalho realmente exista.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Escola deveria ser garagem

Pensar em modelos de educação que inovem ironicamente não é uma novidade. A morte do currículo foi decretada cinicamente algumas vezes – o paradigma de não seccionar o conhecimento em áreas de conhecimento chega a ser um discurso cansativo, proferido por quem acredita em uma “educação contemporânea”.
O fato é que o mundo da educação padece por ser formado em sua maioria por pensadores, e não executores. Mudar um sistema de ensino é muito complexo; realizar experiências pontuais – construir escolas ideais - que sirvam de exemplo e instiguem mudanças maiores, não tanto.
Mesmo assim educadores preferem elaborar teorias a realizar experiências e correr riscos.
Há alguns dias fui provocado por dois jovens e inteligentes documentaristas, Antonio Lovato e Raul Perez, a dar um depoimento sobre “a escola que considero ideal”. Nunca havia pensado de forma totalmente onírica e livre sobre esse tema, então coloquei minha mente para rodar antes da câmera ser ligada.
Viajei muito no Brasil e no mundo para conhecer escolas; ouvi outras tantas de amigos. Nesse meu fluxo de pensamento interno me lembrei dos laboratórios do MIT (Massachusetts Institute of Technology), do Schumacher College, da Escola da Ponte, da Cidade Escola Aprendiz, de uma escola dinamarquesa relatada pelo Rubem Alves, em que estudantes aprendiam a construir uma casa e também da Oregon Episcopal School, a OPS, que me encantou.
Todos os exemplos têm elementos em comum: ignoram o currículo, pois trabalham por projetos – teoria que data dos anos 40. E todas são idealizadas e coordenadas por educadores fora dessa cátedra.
Antes de dar a reposta cara a cara com os dois cineastas, pensei, muito centralmente, nas minhas experiências com jovens produzindo comunicação – como o Idade Mídia, do Colégio Bandeirantes. Vivências em que os estudantes se apropriam do espaço escolar e aprendem muito mais assim: quando sua expressão surge no universo do aprendizado; e quando são estimulados a acreditar na sua capacidade de realização de um projeto – no caso uma revista ou um documentário.
Mas quando comecei a falar, quis dar um passo atrás do meu sonho de escola educomunicativa para ser mais desamarrado de conceitos, e procurei achar pontos em comum a todas elas. E percebi: são experiências de e para “garagens”.
Me lembrei daquelas garagens de casas antigas, onde se acumulam bugigangas, mas há sempre uma mesa para se sentar e organizar as ideias. Portanto, cheguei a conclusão que minha escola ideal assemelha-se a uma garagem. Dessas mesmo onde as crianças têm a tentação de montar robôs com peças velhas.
Lá, o foco está na criação e inovação do estudante. O professor é um tutor que circula entre os objetos, orienta as criações e aprende muito também. Um tablet conectado à internet seria o material básico. Os produtos lá desenvolvidos trariam um pouco de cada disciplina.
Quando terminei a entrevista, tive a estranha sensação de ter vivido essa atmosfera de garagem, na maioria das vezes, em ambientes educomunicativos. Fui induzido a pensar na comunicação novamente. Muito porque ela está no DNA do estudante antes mesmo da escolarização chegar. Este é seu ponto mais forte – joga a favor do estudante.
A garagem tem um apelo tão forte para a educação que, se nenhum projeto for capaz de brotar daquele ambiente, ainda é possível vender limonada (como fazem os norte-americanos) ou montar uma banda de rock (como faz qualquer jovem). O que, em ultima instância, são também projetos.

Participar da vida escolar dos filhos ajuda a aumentar aprendizado e a combater evasão

Quando os pais participam da vida escolar dos filhos, eles ajudam as crianças a terem interesse em permanecer na escola e a aumentarem seu rendimento, despertando nelas a vontade de apresentar bons resultados. A avaliação é do consultor de educação do Canal Futura e autor do livro Na Sala de Aula, Celso Antunes, que foi convidado pelo programa Conexão Futura para debater o assunto.

“Um estudo recente publicado pelo Movimento Todos pela Educação mostra que nas escolas em que os pais foram participativos, o Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] deu um salto de 20% em dois ou três anos. Além disso, o índice de evasão diminuiu”, declarou na entrevista. “Essa presença na escola pode ajudar os pais a descobrirem caminhos para conversas com os filhos sobre drogas e sexo, por exemplo”.
Ele ressalta, no entanto, que as escolas têm que estar abertas aos pais. “Elas têm que ser acessíveis e saber que eles não vão interferir no trabalho dos docentes”, declarou. “Não estamos falando apenas da presença física dos pais, mas do interesse de saber o que os filhos fazem na escola; de instigá-los a ter vontade de ler e de fazer as lições; de indagá-los sobre os professores que mais gostam; e de pedir que expliquem o que aprenderam”, afirmou.
Veja a entrevista na íntegra:

Conexão Futura

Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – Ideb: criado em 2007, mede a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. É calculado com base no desempenho do estudante em avaliações do Inep e em taxas de aprovação.

Estamos desperdiçando talentos

“Estamos desperdiçando talentos”, diz especialista em superdotados
Cristina Paulino Colavite cresceu vendo a mãe, professora de escola pública, quebrar a cabeça para estimular os alunos mais inteligentes de suas turmas. “Ela contava que alguns aprendiam mais rápido do que outros e sentia que precisava oferecer algo a mais a eles”, lembra. E por que alguns alunos aprendiam mais rápido do que outros? Em busca da resposta e fascinada pelos diferentes níveis e graus de aprendizagem dos seres humanos, Cristina resolveu se especializar em crianças com altas habilidades, os superdotados.
Psicóloga com pós-graduação em Psicologia Clínica, especializada em Educação Especial para alunos com capacidade acima da média, ela atuou na educação básica durante 20 anos.
“Na minha concepção, deveria haver professores e psicólogos nas escolas. Educar significa dar amparo emocional também”, afirma.
Apesar de terem o rótulo de “gênias” e “superhomem”, Cristina destaca que as crianças superdotadas são em geral incompreendidas e sofrem. Muitas recebem diagnóstico errado de hiperatividade, déficit de atenção e são medicadas sem necessidade. Para orientar professores a trabalhar com esses alunos em sala de aula, Cristina dará um curso a partir do dia 15 de março no Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP).
Hoje, Cristina é membro do Conselho Brasileiro para Superdotação (CONBRASD), da Associação Brasileira para Altas Habilidades/superdotação (ABAHSD) e atende crianças, jovens e adultos em uma clínica particular. “Tenho recebido muitos pacientes com diagnóstico errado de hiperatividade e TDA (Transtorno do Déficit de Atenção). Crianças que estão tomando Ritalina aos 8 anos de idade, sem necessidade”, alerta.
Leia a entrevista concedida ao iG:
iG: Como identificar a criança com superdotação? A quais sinais os pais e professores devem estar atentos?
Cristina Colavite: É muito complexo, porque são crianças heterogêneas. Geralmente elas têm uma facilidade muito grande de aprendizado em diversas áreas do conhecimento, profundidade na percepção de mundo, nas sensações, nas observações, nos detalhes e um senso de justiça, ética e moral muito aguçado. São crianças que ficam indignadas com a injustiça e têm uma necessidade absurda de conhecimento, de desafio. Tem facilidade para fazer analogias, associar desde muito cedo o que veem, leem e ouvem. A memória é maravilhosa e elas conseguem organizar as informações. Uma criança comum passa por um menino de rua passando fome e repara. Mas, se logo na sequência há uma vitrine de brinquedos, ela esquece o menino. O superdotado não, ele quer saber por que a criança está lá, quem vai cuidar dela, se ela vai à escola, se ela tem família, e não para de fazer perguntas. Eles se envolvem com os assuntos.
Na sala de aula, elas acabam ficando com rótulos negativos. Porque o que o professor fala, para elas não é o suficiente e às vezes completamente banal. Então elas não prestam atenção e fazem bagunça, ou se fecham no seu mundo interno. São crianças desde muito cedo incompreendidas.
Esses sintomas podem ser confundidos com distúrbios emocionais?
Cristina Colavite: Sim. Erroneamente muitas crianças com altas habilidades são classificadas ou como apáticas, ou hiperativas e déficit de atenção. Elas sofrem e ficam com uma sensação de impotência fora do comum diante das injustiças, dos problemas sociais e políticos do País, por exemplo. Se não são orientadas, se fecham em uma redoma e muitas vezes não conseguem lidar com a frustração. Seu desenvolvimento cognitivo não é compatível com seu desenvolvimento emocional. Os superdotados têm ideais e profundidade no fazer acontecer, mas muitas vezes acabam sendo desestimulados pelos pais e professores, que dizem coisas do tipo “isso não é para a sua idade”, “quando você ficar mais velho vai entender”, “chega de tantas perguntas”, etc. Tenho recebido muitas crianças com diagnóstico errado de hiperatividade e TDA (Transtorno do Déficit de Atenção), que estão tomando Ritalina aos 8 anos de idade.
Como eles devem ser tratados na escola?
Cristina Colavite: Não se deve segregar. Eles devem conviver com as diferenças e devem ser geradas oportunidades para que eles encontrem seus pares. O ideal é ter um espaço extraclasse, com profissionais capacitados, no qual eles possam ter acesso a tudo o que necessitam para seu desenvolvimento pleno, inclusive cursos. Na minha concepção, deveria haver professores e psicólogos nas escolas. Educar significa dar amparo emocional também. O ideal é ter essa parceria, porque os psicólogos vão orientar como as crianças lidam com a aquisição do conhecimento, como se relacionam enquanto os professores vão transmitindo o conhecimento.
Mas são poucas escolas com esses profissionais. O que os professores podem fazer para estimular esses alunos?
Cristina Colavite: Não é uma coisa fácil e é por isso que estou dando este curso. Os professores precisam ter estratégias na elaboração de projetos para esses alunos. Cada uma vem com uma demanda. Eles têm que estar preparados para não minar essas crianças, e sim para estimulá-las. O papel é orientar essa demanda. Não pode falar “não” o tempo todo. “Agora não pode perguntar”, “isso você vai ver o ano que vem”. É direito da criança portadora de necessidades especiais ter um trabalho específico para seu desenvolvimento. Os superdotados também estão nesta classificação, pois a lei de diretrizes e bases diz que é necessário dar amparo específico.
Estima-se que 5% a 10% da população seja superdotada. Isso significa que em praticamente toda classe há cerca de dois alunos superdotados. Estamos desperdiçando talentos?
Cristina Colavite: A Organização Mundial de Saúde fala em 12% da população. Eu acho que este índice varia de 5 a 8% e acredito que em cada sala a gente tenha pelo menos um estudante com alta habilidade perceptível. Sem dúvida, estamos deixando de despertar nossos melhores políticos, administradores, matemáticos, cientistas, artistas, pesquisadores.
Os superdotados tem um perfil emocional distinto? São tímidos, sofrem bullying, tem problemas emocionais, dificuldades de expressão ou isso varia muito de criança para criança?
Cristina Colavite: Depende de cada criança. A maturidade significa desenvolver os recursos internos emocionais para lidar com as situações adversas do mundo. A criança não sabe fazer isso. Mediante a uma percepção de mundo muito aguçada, o desenvolvimento emocional estará sempre aquém. O desenvolvimento emocional tem que estar muito bem amparado para segurar essa percepção de mundo intensa. Educadores e pais têm que ouvir a criança, entender a demanda dela e não minar. Tentar entender suas necessidades. Olhar para a criança sem preconceito, sem a ideia de que todas são iguais. E procurar supri-las.

Mesmo com o menor salário de professores do país, RS apresenta boas notas em avaliações 2

Os professores da rede estadual do Rio Grande do Sul são os que recebem o menor salário do país: R$ 791 para uma carga horária de 40 horas semanais – o novo valor do piso é R$ 1.451. Já a avaliação do Estado no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é uma das dez melhores do Brasil. Em contrapartida, o Amazonas paga um valor acima do piso para seus docentes (R$ 1.905) e não apresenta bons índices na avaliação.
O professor José Marcelino de Rezende, da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto, acredita que o bom desempenho do Rio Grande do Sul na avaliação, mesmo com a baixa remuneração dos docentes, pode ter relação com a tradição do sistema escolar do Estado.
“No Brasil, o desempenho dos alunos está muito ligado com a condição socioeconômica das famílias. O capital cultural e a escolaridade dos pais interfere diretamente nas notas”, disse.
Para Francisco Soares, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e coordenador do Grupo de Avaliação e Medidas Educacionais na mesma instituição, a região Sul apresenta condições econômicas e familiares muito boas, o que contribui positivamente para o aprendizado dos alunos. "No Sul, os filhos chegam à escola com mais facilidade de aprender do que no nordeste" afirmou.
Mas, Marcelino alerta que, se a baixa remuneração dos professores do Rio Grande do Sul continuar, a perspectiva para o Estado é muito ruim, pois "os jovens vão procurar outras carreiras".
O Ideb é a "nota" do ensino básico no país. Numa escala que vai de 0 a 10, o MEC (Ministério da Educação) fixou a média 6, como objetivo para o país a ser alcançado até 2021.


Paralisação Nacional
A CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) organizou uma paralisação nacional entre hoje (14) e sexta-feira (16) para exigir o cumprimento da Lei do Piso. O novo valor anunciado pelo MEC (Ministério da Educação) é de R$ 1.451. O protesto também defende um maior investimento público em Educação. Segundo especialistas ouvidos pelo UOL, o aumento do salário dos docentes é apenas um dos fatores que influenciam na melhora da educação e deve vir acompanhado de outras práticas para a valorização do ensino.

“O professor tem que receber mais, mas só isso não basta. Seria importante que junto com o incentivo econômico acontecessem outras iniciativas. Tem que ter piso, mas tem que ter pedagogia”, afirmou Francisco Soares, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e coordenador do Grupo de Avaliação e Medidas Educacionais na mesma instituição.

Quem paga o piso?
Segundo um levantamento feito com as secretarias de educação dos Estados, nove deles ainda não pagam o piso nacional dos docentes. Pelas contas dos sindicatos, são 17 Estados que não cumprem a Lei .

Os professores do Distrito Federal, que são os mais bem pagos do país (R$ 2.314), entraram em greve na última segunda-feira (12). Uma das razões da paralisação é o não cumprimento da equiparação salarial com outras carreiras de nível superior do GDF (Governo do Distrito Federal). O acordo para a isonomia foi feito em abril de 2011, entre o Sinpro (Sindicato dos Professores do Distrito Federal) e o governo.
No Piauí, em Goiás e em Rondônia os professores também estão em greve.
Veja a comparação Ideb x salário
Estado Piso para 40 horas/semana Ideb 5º ano EF Ideb 9º ano EF Ideb 3º ano EM
RS R$ 791,00 4,9 4,1 3,9
AP R$ 1.085,00 3,8 3,6 3,1
SC R$ 1.187,00 5,2 4,5 4,1
RO R$ 1.187,00 4,3 3,5 3,7
AC R$ 1.187,00 4,3 4,1 3,5
SE R$ 1.187,00 3,8 3,2 3,2
RN R$ 1.187,00 3,9 3,3 3,1
AL R$ 1.187,00 3,7 2,9 3,1
PI R$ 1.187,00 4,0 3,8 3,0
PE R$ 1.188,00 4,1 3,4 3,3
BA R$ 1.188,00 3,8 3,1 3,3
PR R$ 1.224,00 5,4 4,3 4,2
PA R$ 1.244,00 3,6 3,4 3,1
CE R$ 1.270,00 4,4 3,9 3,6
TO R$ 1.330,00 4,5 3,9 3,4
MA R$ 1.357,00 3,9 3,6 3,2
PB R$ 1.384,00 3,9 3,2 3,4
GO R$ 1.460,00 4,9 4,0 3,4
MS R$ 1.490,00 4,6 4,1 3,8
RJ R$ 1.732,00 4,7 3,8 3,3
MT R$ 1.749,00 4,9 4,3 3,2
MG R$ 1.870,00 5,6 4,3 3,9
SP R$ 1.894,00 5,5 4,5 3,9
AM R$ 1.905,00 3,9 3,5 3,3
RR R$ 2.142,00 4,3 3,7 3,4
DF R$ 2.315,00 5,6 4,4 3,8
ES NÃO INFORMOU 5,1 4,1 3,8
Fonte: levantamento feito pela Folha de S.Paulo em 5.mar